O jovem médico se deparava com o que mais temia e se forçava, até aquele momento, a não pensar naquela possibilidade. Seu luxuoso quarto tinha suas paredes e chão tingido com o vermelho do sangue de muitas pessoas, pilhas foram feitas com os corpos pálidos de seus empregados e em sua cama de alta cabeceira forrada com couro legitimo encontrava-se sua linda e amada criada Odete nos braços da terrível criatura. O rosto de Odete era desfigurado, sua pele pálida como a de um fantasma, pois mais nenhum sangue corria em suas veias. A vampira segurava Odete carinhosamente nos braços, seus olhos vermelhos encaravam o médico com ódio e um leve sorriso sarcástico.
- Você poderia ter no mínimo se vestido melhor para me receber, não acha? “hu, hu” – Sua voz suave transmitia tal ódio e frieza jamais ouvida pelo médico.
- Co- como? Você? ... Odete... – Sua voz era muito tremula e seu medo intenso, por uns instantes achou que estava sonhado, ou melhor, desejou estar, com as mãos na cabeça ele se ajoelhava, pois não conseguia se manter em pé, ele colocava as mãos em seu rosto pálido de medo sem acreditar no que estava acontecendo, seus cálculos eram perfeitos, ela não podia ter fugido.
- Sabe eu perdi a minha memória a sete anos e enfim a recuperei por completo. – A vampira se levantava da cama derrubando o corpo sem vida de Odete no chão. Ela andava lentamente em direção ao médico. – Em 1876 eu dei “o beijo” em um ser humano que havia matado meu irmão mais velho, meu irmão às vezes era incontrolável e sedento por sangue, mas não era culpa dele, ele já tinha matado muitas pessoas, mas apenas aqueles que o ameaçavam de algum jeito e uma vez um caçador de vampiros amador o matou com o cristal negro. Há dois jeitos de se dar “o beijo” em um ser humano, um deles é você aprisionar a alma dele, já a outra é corromper a alma, se você corromper a alma de um ser humano o vampiro perde a sua memória e o tempo de volta da mesma é muito variado, como eu gostava muito do meu irmão minha vingança não poderia ter vingado-o de outra maneira, mesmo sabendo que perderia as minhas memórias por um longo tempo. Nesse caso por sete anos. Resumindo... – A vampira chegava cada vez mais perto do médico que permanecia no canto perto da porta. – Naquela noite chuvosa depois de ter dado o que nós vampiros chamamos de “o beijo” acordei em seus braços, depois disso fui condenada a viver aprisionada por um médico medíocre que me usou como um brinquedo! – Ela estava bem perto dele e levantava delicadamente seu rosto fazendo-o olhar para ela. - Só perdemos a nossa memória quando tiramos a alma de um ser humano, quando aprisionamos não, mas sabe de uma coisa? Nenhuma dor se compara a dor de uma alma corrompida... – Ela segurava o rosto do jovem médico com força bem perto do dele, seu sorriso era cheio de ódio e seu olhar penetrante. O famoso e “corajoso” médico Haru conhecido por não temer a morte implorava por sua vida até ser calado pelo “beijo do vampiro”.
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