Na noite mais fria do ano de 1883 a neve caia no jardim deixando uma grossa camada branca no chão. Dentro da enorme mansão, no cômodo mais escuro, mais úmido, o chão, de estrutura firme de pedra que cobria todo o seu interior, vivia banhado de sangue. No canto do frio aposento achava-se uma patética criatura com vestes imundas e corroídas, cabelos tão longos que não se via o rosto, eles estavam muito sujos com sangue fresco e seco, porém dava-se para notar que eles foram um dia loiros. A terrível criatura encontrava-se acorrentada ao chão, suas correntes eram longas o suficiente para que ela se movimentar-se pelo aposento, mas a impedia de ir mais além que isso.
Um homem alto cabelos grisalhos, barba feita, porém rala, trajando um terno alemão caro acompanhava outro de cabelos pretos, rosto liso e macio de aparência jovial e delicada de olhos muito verdes. Ele vestia um jaleco branco de médico e trazia em uma das mãos uma seringa e na outra alguns tubinhos com sangue. A criatura que agora a pouco estava no canto abraçando as pernas e escondendo o rosto, levantava a cabeça e encarava os homens com olhos vermelhos ameaçadores. A criatura se levantava devagar deixando levemente visível em meio aos trapos que usava que era uma figura feminina, ela andava devagar em direção aos homens que permaneciam no alto da escada, o médico faz um sinal para o outro recuar alguns passos, o homem grisalho obedece um pouco assustado apesar de ter sido avisado dos perigos. O médico desce as escadas e ia ao encontro da criatura que mostrava um pouco de um belo rosto de mulher por traz da sujeira. O médico pega bruscamente o braço dela e aplica os três tubos de sangue que trazia.
- Porque tem que me tratar tão mal quando vem me alimentar? – Falava a criatura com uma voz tão suave quanto o canto de uma sereia. – Você poderia ser mais... Educado de vez em quando...
Sua voz ecoava pelo porão de pedra e apesar de ser quase um canto não deixava de ser ameaçador.
- Você já está falando bem, isso é ótimo – falava calma e suavemente o médico que terminava de aplicar o ultimo tubo de sangue. A mulher desviava o olhar do médico para o homem grisalho que ainda se encontrava no alto da escada muito assustado.
- Quem é este homem de aparência extremamente saborosa? Ele é para mim? – Ela abria a boca e passava a língua pelos grandes caninos.
- Não, ele não é para você ainda está com fome? Acabou de comer.
A garota concorda com a cabeça e volta para o seu habitual canto escuro onde só dava para ver seus olhos mudando de vermelhos para azul.
Os dois homens saem do aposento e vão para uma simpática sala do chá, com duas poltronas onde os cavaleiros se sentaram e uma bela e bondosa empregada, de cabelos castanhos claros vestindo um típico uniforme em preto e branco, servia chá e bolo para os dois homens, ela se retirava em quanto o homem grisalho dava um grande gole de chá, suspirava e começava a falar ainda meio assustado:
-Vampiros? No que você está pensando? – Ele tremia e elevava o tom de voz indignado.
- Ela está muito bem acorrentada, - O tom de voz do médico era calmo e macio. – se ela me matar não haverá ninguém para alimentá-la. Com essa “coisa” tenho feito varias experiências que estão ajudando e muito a nossa compreensão de vários seres.
- Mas e se ela convocar alguns “amigos”? Você estará perdido.
- Acho que se ela pudesse fazer isso já teria feito, e eu não estaria aqui falando com o senhor. – Ele da um suspiro bebe mais um gole, pousa a xícara na mesa e olha em seu relógio. – Já está tarde, acho melhor o senhor partir.
- Também acho... – Vai até a porta de saída e se vira mais uma vez para o médico. – Por que me chamou até aqui?
- Você é um renomado químico gostaria que compartilhasse comigo a minha nova descoberta, mas acho que não será possível não é?
- Os vampiros são criaturas perigosas... Esse foi o meu primeiro e espero o ultimo vampiro que eu vou ver na vida doutor.
- É realmente uma pena que não queira estudá-la comigo.
- Ela vai acabar se vingando de você doutor, vampiros não perdoam.
- Como sabe tudo isso sobre vampiros?
- Lendas são contadas há séculos na minha família, mas era isso que eu achava que eram elas... Lendas... – Ele suspirava e voltava a falar agora com um sorriso sarcástico. – O senhor não tem medo que eu conte para as pessoas, doutor? Seria um grande escândalo não acha? Tirariam de você a criatura e então não poderia continuar as suas pesquisas...
- Sr. Odilon, como o senhor falo ninguém acredita que isso é possível, mesmo que você disse se algo, quem acreditaria? – O sorriso sarcástico do homem grisalho, Odilon, murchava a medida que o médico falava. – Boa noite.
Com estás ultimas palavras Odilon se retira da enorme mansão até sua carruagem que o aguardava batendo a porta da mesma com força.
- Haru-sama, seu banho já está pronto. – Falava graciosamente a empregada de cabelos castanhos.
- Claro, claro, obrigado Odete. – Ele dava um leve sorriso enquanto fechava a porta onde estava até agora acompanhando o Sr. Odilon entrar na carruagem. Dirigiu-se ao banheiro deitando-se na banheira com água morna. Terminando o seu banho veste um roupão e sai do banheiro. – Odete! Preciso de um favor... – Parava de falar, pois ouvia um barulho incomum – Odete? – Haru agora procurava de onde vinha o barulho incansavelmente, ele foi até a cozinha, Hal, sala de estar e de musica não encontrava nem o barulho nem nenhum de seus empregados. – Não pode ser não pode isso não pode estar acontecendo... – Seu rosto suava a medida que ele descia as escadas para o porão, chegando lá via a porta a Berta e pedaços do que costumava ser as algemas da vampira espalhado pelo chão. Sua respiração pesada e seu corão acelerado o “levaram” até a porta do seu quarto onde se via saindo por debaixo da porta fechada um pouco de sangue. Ele engolia em seco e colocava suas mãos tremulas na maçaneta e a girava para abrir a porta.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Cap. 2 O beijo
O jovem médico se deparava com o que mais temia e se forçava, até aquele momento, a não pensar naquela possibilidade. Seu luxuoso quarto tinha suas paredes e chão tingido com o vermelho do sangue de muitas pessoas, pilhas foram feitas com os corpos pálidos de seus empregados e em sua cama de alta cabeceira forrada com couro legitimo encontrava-se sua linda e amada criada Odete nos braços da terrível criatura. O rosto de Odete era desfigurado, sua pele pálida como a de um fantasma, pois mais nenhum sangue corria em suas veias. A vampira segurava Odete carinhosamente nos braços, seus olhos vermelhos encaravam o médico com ódio e um leve sorriso sarcástico.
- Você poderia ter no mínimo se vestido melhor para me receber, não acha? “hu, hu” – Sua voz suave transmitia tal ódio e frieza jamais ouvida pelo médico.
- Co- como? Você? ... Odete... – Sua voz era muito tremula e seu medo intenso, por uns instantes achou que estava sonhado, ou melhor, desejou estar, com as mãos na cabeça ele se ajoelhava, pois não conseguia se manter em pé, ele colocava as mãos em seu rosto pálido de medo sem acreditar no que estava acontecendo, seus cálculos eram perfeitos, ela não podia ter fugido.
- Sabe eu perdi a minha memória a sete anos e enfim a recuperei por completo. – A vampira se levantava da cama derrubando o corpo sem vida de Odete no chão. Ela andava lentamente em direção ao médico. – Em 1876 eu dei “o beijo” em um ser humano que havia matado meu irmão mais velho, meu irmão às vezes era incontrolável e sedento por sangue, mas não era culpa dele, ele já tinha matado muitas pessoas, mas apenas aqueles que o ameaçavam de algum jeito e uma vez um caçador de vampiros amador o matou com o cristal negro. Há dois jeitos de se dar “o beijo” em um ser humano, um deles é você aprisionar a alma dele, já a outra é corromper a alma, se você corromper a alma de um ser humano o vampiro perde a sua memória e o tempo de volta da mesma é muito variado, como eu gostava muito do meu irmão minha vingança não poderia ter vingado-o de outra maneira, mesmo sabendo que perderia as minhas memórias por um longo tempo. Nesse caso por sete anos. Resumindo... – A vampira chegava cada vez mais perto do médico que permanecia no canto perto da porta. – Naquela noite chuvosa depois de ter dado o que nós vampiros chamamos de “o beijo” acordei em seus braços, depois disso fui condenada a viver aprisionada por um médico medíocre que me usou como um brinquedo! – Ela estava bem perto dele e levantava delicadamente seu rosto fazendo-o olhar para ela. - Só perdemos a nossa memória quando tiramos a alma de um ser humano, quando aprisionamos não, mas sabe de uma coisa? Nenhuma dor se compara a dor de uma alma corrompida... – Ela segurava o rosto do jovem médico com força bem perto do dele, seu sorriso era cheio de ódio e seu olhar penetrante. O famoso e “corajoso” médico Haru conhecido por não temer a morte implorava por sua vida até ser calado pelo “beijo do vampiro”.
- Você poderia ter no mínimo se vestido melhor para me receber, não acha? “hu, hu” – Sua voz suave transmitia tal ódio e frieza jamais ouvida pelo médico.
- Co- como? Você? ... Odete... – Sua voz era muito tremula e seu medo intenso, por uns instantes achou que estava sonhado, ou melhor, desejou estar, com as mãos na cabeça ele se ajoelhava, pois não conseguia se manter em pé, ele colocava as mãos em seu rosto pálido de medo sem acreditar no que estava acontecendo, seus cálculos eram perfeitos, ela não podia ter fugido.
- Sabe eu perdi a minha memória a sete anos e enfim a recuperei por completo. – A vampira se levantava da cama derrubando o corpo sem vida de Odete no chão. Ela andava lentamente em direção ao médico. – Em 1876 eu dei “o beijo” em um ser humano que havia matado meu irmão mais velho, meu irmão às vezes era incontrolável e sedento por sangue, mas não era culpa dele, ele já tinha matado muitas pessoas, mas apenas aqueles que o ameaçavam de algum jeito e uma vez um caçador de vampiros amador o matou com o cristal negro. Há dois jeitos de se dar “o beijo” em um ser humano, um deles é você aprisionar a alma dele, já a outra é corromper a alma, se você corromper a alma de um ser humano o vampiro perde a sua memória e o tempo de volta da mesma é muito variado, como eu gostava muito do meu irmão minha vingança não poderia ter vingado-o de outra maneira, mesmo sabendo que perderia as minhas memórias por um longo tempo. Nesse caso por sete anos. Resumindo... – A vampira chegava cada vez mais perto do médico que permanecia no canto perto da porta. – Naquela noite chuvosa depois de ter dado o que nós vampiros chamamos de “o beijo” acordei em seus braços, depois disso fui condenada a viver aprisionada por um médico medíocre que me usou como um brinquedo! – Ela estava bem perto dele e levantava delicadamente seu rosto fazendo-o olhar para ela. - Só perdemos a nossa memória quando tiramos a alma de um ser humano, quando aprisionamos não, mas sabe de uma coisa? Nenhuma dor se compara a dor de uma alma corrompida... – Ela segurava o rosto do jovem médico com força bem perto do dele, seu sorriso era cheio de ódio e seu olhar penetrante. O famoso e “corajoso” médico Haru conhecido por não temer a morte implorava por sua vida até ser calado pelo “beijo do vampiro”.
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